Em nota pública que será divulgada nesta quinta-feira à tarde, o Vitória irá oficializar a decisão de não alugar o Estádio Manoel Barradas, o Barradão, ao rival Bahia. "Torcida e todas as entidades ligadas ao Vitória são contrárias a ceder nosso estádio. Inclusive, eles vão subscrever a nota também", declarou o presidente do Vitória S/A, Jorge Sampaio, em entrevista ao Jornal A Tarde.
Sampaio afirmou que a intenção do rubro-negro era se reunir para discutir a questão antes do Campeonato Baiano, no início do ano. "Naquela época, o Vitória se ofereceu pra sentar à mesa, mas não houve ação do rival. Poderíamos encontrar uma solução até para o Campeonato Baiano. Agora, a torcida, que é soberana, é contrária", disse.
O dirigente fez questão de chamar a atenção que a decisão não foi tomada por qualquer tipo de sentimento de revanchismo, mas sim por motivos financeiros. "Não tem a ver com princípios. Nenhuma proposta do Esporte Clube Bahia cobriria o prejuízo que adviria da cessão do estádio". Segundo Jorge Sampaio, representantes da torcida rubro-negra ameaçaram boicotar os jogos do Vitória no Campeonato Brasileiro, caso o Bahia mandasse os jogos no Barradão.
O boicote reduziria muito a arrecadação do clube. "Principalmente no programa de fidelização (Sou Mais Vitória). Muita gente interromperia suas filiações", acredita o presidente do Vitória S/A. Atualmente, o 'Sou Mais Vitória' injeta mensalmente R$ 200 mil. Esta é a segunda maior fonte de renda do clube rubro-negro. Somente os direitos de transmissão da Rede Globo e dos canais Globosat superam o programa de fidelização.
Não há como negar os ressentimentos existentes devido a posicionamentos passados do Bahia em relação ao Barradão. O episódio marcante foi na decisão do Campeonato Baiano de 1999, quando o Bahia se negou a jogar o segundo jogo da final no estádio. Por meio de uma ação na Justiça movida pelo clube Itapagipe, alegou-se que não havia segurança para a realização da segunda partida decisiva no Barradão e uma liminar transferiu a segunda partida para a Fonte Nova.
Como não foi notificado a tempo, o Vitória se achou no direito de jogar no Barradão, para onde a patida estava previamente marcada. O Bahia foi para a Fonte Nova e cada equipe deu a volta olímpica num estádio, comemorando o título por WO. A solução veio apenas em 2005, quando a Federação Baiana de Futebol (FBF) decidiu dividir o título entre os dois clubes.
A reunião promovida pela FBF, uma semana atrás, funcionou apenas para tornar oficial o interesse da diretoria do Bahia mandar os jogos da Série B no Barradão até a conclusão das obras em Pituaçu. A Fonte Nova está interditada desde 25 de novembro passado, quando uma tragédia matou sete torcedores do Bahia.
Desde então, o Bahia vem mandando suas partidas em Camaçari e no estádio Jóia da Princesa, em Feira de Santana, a 108km da capital baiana.
UOL
quinta-feira, 3 de julho de 2008
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