quarta-feira, 14 de maio de 2008

Pênalti perdido por Elias gera polêmica no Bahia

Quem se recorda das penalidades convertidas? Goleiro fora da foto, chute rasteiro, no canto, e o crédito do batedor é subestimado pela obrigação incondicional do gol. Mas nem sempre a bola entra. O Galinho de Quintino Zico perdeu o pênalti dos pênaltis na Copa do Mundo de 1986.

Elias perdeu o pênalti do triunfo tricolor na estréia do Brasileiro da Série B. E também alimentou discussão. O cobrador oficial será outro nas próximas rodadas, afinal, é o segundo desperdiçado neste primeiro semestre. Mas foram as palavras do diretor de futebol Ruy Accioly que incomodaram mais.

“Abri o jornal, o Uol, o Terra e está em todos os lugares. Estou tranqüilo, fazendo meu trabalho, mas, qualquer coisa, basta me chamar para rescindir”, desabafa o camisa 10, artilheiro do Bahia na temporada, com 11 gols. Em entrevista ao programa Show de Notícias, da Rádio Sociedade, na segunda-feira, o dirigente disse que o time “não poderia ter perdido um pênalti”.

“Quisesse falar, falasse antes comigo. O cara não pode dizer que não posso perder pênalti, porque não comento quando eles contratam errado”, retrucou. O meia admite que não bateu bem, mas ameniza a falha lembrando que o goleiro do Fortaleza tem histórico de pegador. Pesou o empate por 1x1 no Jóia da Princesa fechado.

O canhoto já havia perdido um na partida contra o Camaçari, dia 12 de março, pelo Campeonato Baiano. Só que, na ocasião, o erro acabou diluído na goleada por 4x1, no Armando Oliveira. Os números de Elias na temporada apontam seis cobranças e quatro gols, o suficiente para que surjam os nomes de Marcone e Alison para a função, numa opção por chute mais forte.

O zagueiro tem retorno garantido ao time que enfrenta o América-RN depois da ausência no sábado, justificada pelo nascimento de sua primeira filha. Outro que garante posto é Rivaldo, mais combativo que o garoto Ananias. A dúvida da semana deve ficar restrita ao ataque.
Pantico foi o escolhido para a estréia do Brasileiro, mas Reinaldo Aleluia reapareceu entre os titulares no treino da tarde de ontem. O técnico Paulo Comelli escalou a equipe com Darci, Luciano Baiano, Alison, Marcone e Ávine; Rogério, Fausto, Rivaldo e Elias; Reinaldo Aleluia e Juca. O zagueiro Padovani foi apresentado à imprensa e fez seu primeiro coletivo no clube, ao lado dos Brunos Cazarini e Meneghel.

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Retorno a Natal tem lembrança trágica

O quarto 1.606 do Hotel Golden Tulip guarda o princípio do desespero tricolor em 22 de outubro de 2007. O boletim divulgado no site oficial do Bahia às 12h45 dá conta de problema diagnosticado em Natal quatro horas antes. O meia Cléber sofreu acidente vascular cerebral (AVC), decorrente de um aneurisma.

Na tarde anterior, esteve sentado no banco de reservas na derrota por 4x3 para o ABC, no estádio Frasqueirão. Sequer uma queixa de dor. Na segunda quinzena de dezembro, em Salvador, exames confirmaram a morte cerebral do atleta de 31 anos. Quase sete meses depois do incidente, o Bahia retorna à capital potiguar pela primeira vez neste sábado, agora para pegar o América.

Confirmado no grupo, Alison era colega de quarto e foi o responsável pelo primeiro atendimento ao armador canhoto. “Não preciso voltar lá. Lembro daquele dia sempre”, revela. O despertar em meio às queixas do companheiro, a corrida em busca de assistência médica, a primeira parada cardíaca, a reanimação e a chegada rápida ao hospital. O filme se desenrola sem grande esforço de memória.

“Fica marcado. Ele estava lúcido. Até hoje quando vejo jogador com característica semelhante, a imagem dele me vem à cabeça”. Aquela passagem pela cidade depois de longo período afastado coincidiu com a data do aniversário – 24 anos em 21 de outubro de 2007, mas a comemoração da noite terminou manchada pelo fato da manhã seguinte.

Alison transformou a fatalidade em lição. “Não somos nada sem Deus”. O zagueiro mantém contato constante com a família de Cléber e espera reencontrar a sua própria em circunstância mais amena. “Estou ansioso. Tenho cinco meses sem vê-los”. (ER)


Correio da Bahia

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