domingo, 24 de fevereiro de 2008

Entrevista com Dudu Fontes

Aos 44 anos, o preparador físico Dudu Fontes chegou ao Bahia no início da temporada 2007 com a experiência de quem já passou por Vitória, Vila Nova-GO, Santa Cruz, Santos, São Paulo, Fluminense de Feira, América-RN, Sampaio Corrêa, União São João-SP, Caldense-MG. Durante o seu trabalho, o clube diminuiu sensivelmente a quantidade de jogadores lesionados. Nesta entrevista, Dudu fala sobre a preparação para o clássico de logo mais, sobre a passagem pelo agora rival Vitória, o trabalho com o técnico Paulo Comelli e muito mais. Confira!


Correio da Bahia – Existe alguma preocupação física específica para o Ba-Vi?


Dudu Fontes – Tomamos mais cuidados em relação à recuperação do atleta por se tratar de um jogo especial, um jogo diferente, que por si só motiva e desgasta. É a ansiedade. O próprio clima do Ba-Vi causa uma expectativa e essa expectativa gera um desgaste físico maior na partida. Então, durante a semana a gente procura aumentar as medidas profiláticas em relação aos cuidados físicos e também reforça o aspecto psicológico para que tenhamos os atletas na melhor condição possível no dia do jogo.


CB – O fato de você já ter trabalhado no Vitória ajuda em algum sentido?


DF – Teoricamente sim. A gente sabe como os atletas jogam, como o clube vive os períodos que antecedem o Ba-Vi. A gente sabe como eles se portam. Normalmente, a ansiedade do lado do Vitória é maior, em função da própria história dos Ba-Vis. Mas a partir da hora que a bola começa a rolar, tudo muda e quem tem mais empenho, dá mais sorte e tem mais competência acaba levando vantagem.


CB – Esse clássico tem a peculiaridade de uma viagem e de todo um jogo em um estádio que não tem as características de Barradão ou Fonte Nova. No que isso pode influenciar?


DF – O estádio de Feira de Santana tem alguns transtornos. Por exemplo, nós aquecemos numa área de cimento, o que não é o ideal. Vamos jogar na grama e de chuteira, mas temos que fazer o aquecimento de tênis, no cimento. Um outro inconveniente, além da distância, é que o estádio, a meu ver, não comporta um jogo da altura do Ba-Vi. Gostaria muito que essa partida acontecesse na Fonte Nova, nosso mando de campo, mas como não é possível, vamos tentar oferecer ao público de Feira um grande espetáculo.


CB – O Paulo Comelli também disse que acha o campo de lá mais estreito...


DF – É, as dimensões do campo são menores e o gramado também é mais fofo. Pelo menos nos jogos que fizemos contra o Fluminense, a grama estava alta e isso exige uma condição física melhor. Mas é um fator que influencia para os dois lados e não acredito que seja um empecilho para uma boa apresentação do Bahia.


CB – Alguma orientação pré-clássico aos jogadores?


DF – Calma, tranqüilidade. Nós precisamos manter a liderança da competição e, para isso, é importante vencer. O Bahia, a meu ver, entra como favorito em qualquer clássico contra o Vitória, pela sua história, pela própria dimensão do que é o clube – são dois títulos nacionais. Tem a força da torcida, a mística da camisa...vamos ter tranqüilidade e que o Bahia vença.


CB – Você deu entrevistas no início do ano dizendo que o Bahia ia ganhar condição física durante o Campeonato Baiano. Em que estágio o grupo está agora?


DF – Dentro do que a gente busca, do que consideramos ideal para um nível competitivo, acredito que estamos em 80%, traçando uma linha média. Tem jogadores que estão aquém e outros que se encontram em um ritmo melhor. Mas, em função do grupo pequeno, não tivemos possibilidade de promover um revezamento ou poupar alguns atletas. Os jogadores foram submetidos à seqüência de jogos incessantemente, a não ser por cartões. Contando o amistoso, foram 14 partidas em cerca de 45 dias. É muito desgastante, mas esse nível que atingimos nos permite fazer grandes partidas. Inclusive, estamos liderando o campeonato.


CB – Rogério e Darci disputaram todas as partidas. Reinaldo Aleluia e Didi chegaram depois. Há um trabalho específico para esses jogadores?


DF – É recuperação. De alguma forma, é até bom termos um grupo heterogêneo no aspecto físico. Quando temos problemas de cartões e lesões, acaba acontecendo um revezamento. Temos um calendário muito longo e, se todos estivessem nas mesmas condições, nós teríamos dificuldades para cumpri-lo. Encontramos um balanço bom entre os que estão jogando e os que chegaram depois, e como equipe temos nos portado muito bem.


CB – Preparador físico não gosta de citar nomes, mas quem seria o pulmão da equipe hoje?


DF – Nós trabalhamos de forma bastante individualizada. As valências físicas são priorizadas de acordo com o posicionamento em campo. O treinamento do lateral é diferente do aplicado ao zagueiro, que é diferente do atacante, que é diferente do meia. Desta forma, nós temos em cada grupo jogadores que estão com determinadas valências físicas mais treinadas. Mas no aspecto resistência, nós temos o Fausto. Mas o Rogério também tem uma condição muito boa, o Daniel também está muito bem treinado.


CB – O Bahia teve um problema grave de lesões nas temporadas 2005 e 2006, principalmente no final do ano. Em 2007, o número reduziu bastante e, este ano, quase não se fala de jogador contundido. Qual a fórmula para essa mudança?


DF – O histórico que eu recebi quando cheguei ao Bahia indicava que eram comum muitas lesões. No ano de 2007, nós tivemos apenas seis lesões musculares. Para a quantidade de partidas, foi um dado muito positivo. Estamos começando este ano quase sem problemas, a exceção de um pequeno problema com Luciano Baiano, que já foi superado. Isso é fruto de muita dedicação, é apoio da direção do clube fornecendo alimentação adequada, suplementação; a integração total da comissão técnica, essa interação permite que façamos uma análise muito boa do estímulo e do repouso...tudo isso ajuda a diminuir o número de lesões. A gente sabe que o risco existe, em função da pré-temporada muito curta e da seqüência de jogos que temos a cumprir.


CB – Mas quando você saiu do Vitória, muitos criticaram a preparação física do clube...


DF – Isso foi mais uma propaganda enganosa. Eu fiquei no Vitória por seis anos, nós fomos campeões nos seis anos. E não só do Campeonato Baiano, como do Campeonato do Nordeste. Tivemos boas performances no Campeonato Brasileiro. As críticas não corresponderam à verdade. Em alguns momentos de crise na relação dentro do clube, surgiram esses tipos de comentários. Mas a gente não pode dar sorte durante seis anos, ser campeão durante seis anos sem uma boa conduta. Mas o Vitória é passado. Tive bons momentos por lá, mas a minha satisfação é estar no Bahia. Sou muito feliz aqui e vivo 24 horas as cores do Bahia.


CB – Como está esse vôo solo depois de uma longa parceria com o técnico Arturzinho?


DF – Trabalhei muitos anos com o Arturzinho, com outros treinadores também, o Arturzinho é um grande amigo, mas estou muito satisfeito. O Paulo Comelli é um cara muito dedicado, muito correto, muito detalhista e o André Chita trabalha da mesma forma. Temos uma boa equipe, estou muito satisfeito, acho que é uma boa comissão técnica.

Fonte: Correio da Bahia

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