O governo do estado não descarta a possibilidade de implosão da Fonte Nova, mas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já se posicionou contrário a esta forma de demolição. A comissão estadual que irá definir o projeto que substitui o estádio deve reunir-se nos próximos dias para avaliar as propostas. Em 25 de novembro de 2007, sete torcedores do Bahia morreram quando parte da arquibancada superior desabou. No dia seguinte, foi anunciada a destruição da Fonte Nova.
Certo mesmo é que o Iphan condena a implosão do equipamento, conforme afirmou ontem pela manhã o superintendente regional, Leonardo Falangola. “O nosso entendimento é que idéia seja rechaçada”, declarou. O uso dos artefatos explosivos para pôr abaixo o estádio afetaria os bens tombados na região – Dique de Tororó e o Palacete Ferraro, na avenida Joana Angélica – e a região do Centro Histórico, próximo ao local.
Falangola afirma ainda que qualquer decisão a respeito do que fazer com a Fonte Nova terá que levar sua importância histórica e arquitetônica, mesmo o estádio não sendo tombado como patrimônio cultural. “Nós estamos mantendo um diálogo com o governo sobre este assunto e esperamos que o Iphan seja consultado antes que qualquer decisão seja tomada”, pontuou Falangola.
Indefinição - Segundo o assessor-geral de Comunicação do Estado, Robinson Almeida, a implosão não está descartada. “A decisão é que será erguido um novo estádio. A forma de substituição não está tecnicamente definida, se será derrubado, demolido. A implosão não está descartada, embora a probabilidade disso ocorrer seja pequena”, afirmou Almeida.
Isto porque existem discussões sobre o aproveitamento da estrutura de base do estádio. “Se formos reaproveitar, não vamos implodir. Estas situações estão sendo estudadas”, pontuou. A comissão estadual coordenada pelo chefe de gabinete do governador Jaques Wagner, Fernando Schimdt, deve definir até meados de março projeto, construção e operação do equipamento. Uma das possibilidades é de que a iniciativa privada construa e opere o novo estádio.
Para o arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Ormindo Azevedo, a questão principal não é a forma da demolição, mas afinal qual a posição do estado sobre o equipamento. “Não temos nenhuma notícia sobre o que a comissão decidiu. A coisa parece meio morta a certo ponto. A estrutura é perfeitamente recuperável e pode ser adaptado às normas da Fifa, sem ser transformado numa coisa com hotel, shopping”, criticou.
Membro do Instituto de Arquitetos do Brasil, seção Bahia, Azevedo destaca que a entidade defende a não-demolição e a integração do espaço ao Dique do Tororó e à comunidade. O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-Ba), não quis comentar a declaração sobre a implosão do equipamento.
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