Marcos Antonio Miranda Ferreira tomou posse como vice-presidente da CBF, região Nordeste, na quarta-feira passada, com mandato até 2014, eleito na chapa de Ricardo Teixeira. Deixou a vice-presidência da FBF e também a diretoria comercial. Formado em administração de empresas, tem registro de radialista e foi por 12 anos diretor da TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia em Vitória da Conquista.
Em quatro anos na FBF, conquistou contratos de patrocínio para os clubes do interior e fez o Campeonato Baiano voltar a ser transmitido pela TV. Conviveu com a dupla Ba-Vi em período de crise técnica e administrativa, ainda não superado.
Nesta entrevista, Marcos Ferreira fala da meta de o Nordeste ter seis ou sete clubes na Série A até a Copa do Mundo, dos bastidores para fazer uma cidade subsede do mundial, Fonte Nova e retorno do Nordestão, embora haja disputa jurídica com indenização no valor de R$15,2 milhões.
CORREIO DA BAHIA - Após quatro anos de FBF, como você avalia sua saída da entidade?
Marcos Ferreira – Cheguei à Federação Bahiana de Futebol por convite do presidente Ednaldo Rodrigues. Por formação, sou administrador de empresas, tenho licença de radialista e fui diretor da TV Sudoeste (afiliada à TV Bahia na região de Vitória da Conquista) por 12 anos. Em meados de 2003, já tinha uma amizade com Ednaldo, que é de Conquista, e, por esta relação e pelo trabalho que desenvolvia, fui convidado. O desejo da FBF era programar uma linha comercial e de marketing. Foi extremamente interessante, pois o desafio veio em um momento novo da vida. Sou de Salvador, tenho família aqui e gostaria de voltar. Com poucos meses, houve eleição na FBF e fui surpreendido com o convite para, além do departamento comercial, ser vice-presidente. De futebol, já gostava, pois sempre acompanhei e gosto de jogar. Porém era um outro aprendizado, pois você começa a atuar em um espaço mais restrito, onde o interesse deixa de ser o clube para ser o produto.
CB – Ao chegar, já assistiu ao rebaixamento do Bahia em 2003 e, em 2004, do Vitória. De cara, uma crise.
MF – Na palavra crise, se você tira o “s”, vira crie: uma coisa boa. As pessoas têm que observar o que de bom pode ser extraído dos momentos complicados, em vez de se deixar abater. Em 1999, o Fluminense caiu para a Série C e a Unimed apoiou o clube, contratando até o Parreira (Carlos Alberto, técnico campeão mundial em 1994 com a Seleção Brasileira). Hoje, ambos estão na Libertadores. Era hora de ser solidário. São em momentos assim que você descobre quem está contigo. Foi nesta época que a Fiat apoiou Bahia e Vitória. A valorização foi importante, tanto que os contratos seguem firmes, embora os valores tenham sido revistos.
CB – E a área comercial da FBF?
MF – Divido em três momentos distintos. No segundo ano, fechamos com a TVE, uma emissora estatal, e o Campeonato Baiano voltou a ser transmitido. No ano seguinte, o contrato com a Globosat, pela TV a cabo, ampliou a visibilidade da competição, comercializada para outros estados. Finalmente, com a TV Record, chegamos à TV aberta e considero um êxito muito grande, afinal o maior ganho está na visibilidade. São 130 países que capturam o sinal e o Campeonato Baiano passa a ser mais atrativo. Conseguimos trazer a Ambev, uma das maiores companhias de bebida do mundo, como patrocinadora, por exemplo. Há ações comerciais, inserções com publicidade estática nos estádios, anúncios em jornal, rádio e TV. Muitos clubes do interior estão aprendendo a investir.
CB – Como vice-presidente da CBF, amplia-se o prestígio nos bastidores. Como fazer o cargo gerar benefícios para o futebol da região?
MF – Este mandato é especial por causa da Copa do Mundo de 2014. Em vez do período de quatro anos, vai durar sete, até 2015. Vou ficar muito satisfeito se, quando chegar a Copa no Brasil, tivermos seis ou sete clubes na Série A, como já tivemos no passado. Temos três e quero quatro já no próximo ano com o Bahia. Depois, ABC, Fortaleza, Santa Cruz, Ceará, etc. A questão passa por fazer com que os clubes tenham recurso e sejam auto-suficientes. Os investimentos precisam ser maiores. A gente pode fazer isto buscando patrocínios e com campeonatos mais atrativos. Outra meta é fazer a região Nordeste ter duas ou três sub-sedes na Copa. Temos, por exemplo, Salvador, Recife, Maceió, Natal e Fortaleza. É preciso articular para três serem escolhidas, pois atrairá investimentos.
CB – Como será sua atuação neste percurso até o mundial?
MF – Ainda está sendo discutida a atuação. É um dos temas que o presidente Ricardo Teixeira mais pretende debater conosco. O governo estadual tem um caderno de encargos do que precisa ser feito, quais os passos, pois cabe a ele dar infra-estrutura: estradas, saúde, segurança, etc. Não se pode misturar tarefas. Muitos grupos e empresários estão interessados em investir em estádios: outro ponto. Nós temos que dar suporte a quem tem interesse em investir na Copa para lucrar mais à frente. Precisamos dar informações a quem quer fazer um trabalho bem feito.
CB – Como você pensa a Fonte Nova neste trajeto?
MF – Dou duas opiniões: dirigente e torcedor. Como dirigente, sou favorável à “Nova Fonte”, no mesmo local da atual. Em conversa com o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, sobre Pituaçu, debatemos que ampliar a capacidade da praça de 15 mil para 35 mil pessoas é fácil. Problema é o entorno. Imagine as avenidas Paralela e Pinto de Aguiar em dia de jogo. Como ficam as vias de acesso, o estacionamento, o fluxo de veículos e pessoas, a segurança, a iluminação? Fazer uma arena multiuso na Paralela como consta no caderno de encargos entregue à Fifa é complicado. Moro em Lauro de Freitas e passo diariamente pelo local. Muito melhor seria uma “Nova Fonte”. Este estádio tem um valor histórico para Salvador, para as pessoas e, como bem disse o governador Jaques Wagner, poderia impulsionar a revitalização do Centro Histórico. Aquela localização é privilegiada. Como seria a “Nova Fonte”: reforma, implosão, demolição? Não sei. Cabe aos técnicos apresentarem a melhor opção.
CB - O diretor do departamento técnico, Virgílio Elísio, foi presidente da FBF antes de Ednaldo Rodrigues. Como é a relação entre vocês?
MF – Era pequeno nosso relacionamento. Na sua função, o contato mais direto era com o presidente Ednaldo Rodrigues. Mesmo assim, mantemos um relacionamento bom, especialmente na época que Virgílio Elísio ainda estava na FBF e eu, na área de comunicação da Rede Bahia. Com outro ex-funcionário da Rede, Maurício Magalhães (ex-Icontent e hoje presidente da agência Tudo, que tem Nizan Guanaes como sócio), auxiliamos à FBF no Prêmio Zuza Ferreira. Acho que não tem problema algum. Claro que, agora, represento as federações do Nordeste e vou cobrar mais em defesa dos filiados da região. Vamos dialogar mais.
CB – Por que a CBF tem apostado em dirigentes da FBF para seus quadros? Competência, coincidência...
MF – Fica meio blasé, como envolvido, responder, pois parece alguém fazendo média ou se promovendo. Pode até ser coincidência, mas acredito que pesou o trabalho desenvolvido. Prefiro enxergar assim. Quero deixar claro, antes de completar, que o convite original foi para o presidente Ednaldo Rodrigues, pelo prestígio junto ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ednaldo rejeitou pelo compromisso com o futebol baiano, pois havia sido reeleito para a FBF e sugeriu meu nome. Fiquei feliz pela consideração e também pelo respaldo das demais federações do Nordeste, que aceitaram meu nome, sinal de respaldo para encarar o desafio.
CB – O desafio de recuperar o Nordestão está incluído?
MF – Tecnicamente, primeiro tenho que entender exatamente porque o Nordestão acabou. Saber exatamente cada passo (hoje, o grande entrave é a briga no Superior Tribunal de Justiça entre CBF e Liga dos Clubes de Futebol do Nordeste, em indenização no valor de R$15,2 milhões). Era uma competição de alto nível técnico e que despertava interesses comerciais e do torcedor. Se o Nordestão vai voltar igual, com mesmo nome, fórmula, não sei. Mas acho interessante resgatar o torneio, pois o Nordestão coincidiu com o bom momento dos clubes na Série A. Seria bom ter outro campeonato daquele nível técnico. Inclusive, acho que não seria difícil fechar com alguma televisão e patrocinadores (risos). Tem muita gente interessada (risos).
CB - Quem assume a vice-presidência da FBF e a diretoria de marketing?
MF – Já deixei a vice-presidência, pois não se pode acumular o cargo. Não sei quem será meu substituto, ainda não conversei com o presidente Ednaldo Rodrigues sobre o assunto, afinal não quero pressioná-lo. Antes, contudo, é preciso consultar o departamento jurídico para conferir exatamente como será conduzido o processo. Na diretoria comercial, acho difícil me desvincular antes do término do Campeonato Baiano, no mês de maio. Os contratos comerciais foram fechados diretamente por mim, muitos diretores de empresa entram em contato comigo, existe a festa de encerramento e premiação do Troféu Armando Oliveira. Vai depender da demanda. Enquanto for interessante para ambos, vou ajudar.
CB – Você se muda para o Rio de Janeiro, sede da CBF, ou continua em Salvador?
MF – Ainda não há necessidade de ir. Se houver, vou sem problema. Claro que vou viajar algumas vezes para reuniões, irei me ausentar por períodos. No entanto, enquanto puder continuar, acho interessante, até mesmo porque fico mais pertos dos outros estados.
Fonte: Correio da Bahia
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