terça-feira, 11 de março de 2008

Precisa-se de matador

Procura-se atacante e o único requisito é pontaria. O diagnóstico de que o ataque não tem sido produtivo parte da simples constatação do intenso rodízio de atletas na temporada.

Pantico, Didi, Reinaldo Aleluia, Charles, Jorginho, Anderson Costa e Deon. O garoto Paulo Roberto ganhou sua primeira oportunidade contra o Ipitanga.

Oito nomes em 16 rodadas, uma nova aposta a cada duas partidas. O técnico Paulo Comelli acredita que falta justamente continuidade. “Eles estão tendo as oportunidades.

O Anderson Costa teve pouco espaço e o Didi, pelo que passou, precisa de mais tempo. O Pantico tem feito gols”. O pequenino marcou quatro no Campeonato Baiano e outros dois na Copa do Brasil.

Mas os atacantes passaram em branco nas últimas cinco rodadas do estadual. Nada de gols contra Fluminense (1x1), Vitória (1x0), Poções (0x1), Vitória da Conquista (2x1) e Ipitanga (2x1).

Pantico e Didi marcaram juntos contra o Fluminense (1x1), no último dia 17/02, há três semanas. Responsáveis diretos por balançar as redes, os homens de frente marcaram apenas dez dos 25 gols tricolores – 40%.

Afastado do último jogo para cumprir um trabalho de força, Didi até gosta do seu desempenho. “Fiz três em seis jogos.

Acredito que está na média”. Correção centroavante, foram oito partidas como titular e outra entrando no segundo tempo.

Didi aproveita para explicar o problema da taquicardia (aumento da freqüência cardíaca) que o tirou da partida contra o Vitória da Conquista. “Não tive um problema grave.

Só comuniquei ao departamento médico e fui fazer os exames, até para me preservar”, encerrou.

Atuação - Os protestos da torcida em Feira de Santana são reflexo direto da eliminação na Copa do Brasil, acredita Comelli.

O treinador cita os números da boa campanha no Campeonato Baiano como justificativa: 11 vitórias, três empates e apenas duas derrotas até a 16ª rodada. “Nós cobramos uma melhora da equipe, mas não vejo porque isso.

Influencia esse período sem títulos, as outras derrotas para o Ipitanga, mas isso não é culpa desses jogadores. Essa é a base que conquistou o acesso”, analisa.

A campanha até supera o esperado, principalmente pelo curto tempo para a pré-temporada. Apenas dez dias para o aprimoramento físico, técnico e tático.

Mesmo assim, o Bahia pode conquistar a classificação antecipada ao quadrangular decisivo no domingo, caso vença suas próximas partidas e Ipitanga, Colo-Colo e Itabuna tropecem pelo caminho.

Isso confirmado, a comissão técnica pensa em dar descanso a alguns jogadores, mas sem esquecer a corrida pelo primeiro lugar. “É importante, pois faríamos o último jogo em casa”.

Elias nunca foi unanimidade entre diretoria, imprensa e torcedores. O futebol inconstante, capaz de resolver ou desaparecer, desde 2004 é motivo de desconfiança.

Mas uma análise distanciada dos últimos anos de clube pode desfazer o mito do jogador indolente, pregui-çoso.

O meia foi o principal nome do Bahia nas finais das séries C de 2006 e 2007, quando André Pastor, Rodriguinho, Juninho, Danilo Gomes, Preto e outras tantas contratações ficaram pelo caminho.

Atualmente, a perna canhota atira quase tão bem quanto distribui. A pontaria lhe rendeu seis gols no Campeonato Baiano 2008 e a artilharia da equipe pela primeira vez.

Comandante do acesso à Série B, Arturzinho o ensinou com a propriedade dos que desfilaram talento nos campos: meia precisa de gols. “Nos primeiros jogos com ele, eu atuava bem, mas não fazia gols.

Quando ele me alertou, coloquei isso na cabeça”, recorda. Elias foi à frente e marcou seis vezes só no octogonal decisivo da terceirona do ano passado.

Futebol ainda mais eficiente do que o que garantiu a transferência ao Vasco da Gama, no início da temporada 2007. Elias só se queixa da má sorte no Rio de Janeiro.

Durante o contrato de quatro meses, a complicação de uma conjuntivite e outra contusão muscular, aliados à eliminação da equipe de São Januário da Copa do Brasil e Campeonato Carioca, derrubaram qualquer possibilidade de permanência.

A seqüência de lesões é justificativa plausível para que só agora o meia tenha algum destaque. No clube desde 2002, suas primeiras oportunidades entre os profissionais aconteceram em 2003 e 2004. “Infelizmente, tive problemas no meu início no Bahia”.

Na temporada 2005, o rompimento do ligamento cruzado do joelho o afastou dos campos por oito meses. Some-se a isso o período de readaptação e alguns problemas musculares comuns ao retorno; um ano inativo.

É hora de recuperar o tempo perdido. “Estou num ótimo momento, mas sei que quando se é artilheiro a cobrança aumenta. Bom... no futebol, quem não quer cobrança, fica em casa”, não teme.

No início do ano, Elias chegou a receber sondagens de Goiás e Atlético-GO, mas para uma transferência sem custos. O Bahia negou. O atual contrato com o clube se estende até abril de 2009.

Correio da Bahia

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