Sobrar na primeira fase da Copa do Brasil pela terceira vez em quatro anos levantou questão relacionada: o atual elenco do Bahia é capaz de lutar ao menos pelo título baiano? O técnico Paulo Comelli é categórico. “Não.
Temos que melhorar muito e precisamos de reforços para a disputa do quadrangular final”. A solução pede urgência. A primeira fase do estadual termina em 23 dias e a desculpa do andamento dos campeonatos paulista, carioca, gaúcho ou mineiro não cola mais.
A comissão técnica esteve reunida com a cúpula de futebol do clube depois da eliminação diante do Icasa-CE e apresentou relatório do grupo nas primeiras 17 partidas da temporada. O treinador considera o atual elenco enxuto, carente de qualidade.
Uns dois ou três nomes podem resolver a parada caseira, mas a exigência é muito maior para o Brasileiro da Série B. Nas suas contas, algo em torno de dez jogadores, quase um time completo.
O problema está na reconhecida dificuldade para contratar. O meia William e o volante Marcelo Costa estavam nos planos, mas o Ipatinga-MG chegou na frente, com pompas de Série A e salários rigorosamente em dia.
Nem o relacionamento com Vanderlei Luxemburgo e o diretor Toninho Cecílio penderam na balança em favor do Bahia. Comelli consultou Abel Braga e bateu nas portas de São Paulo e Corinthians, sem sucesso.
“O mercado está complicado para nós”, desanima. Ainda mais com a imagem de mau pagador que o clube ostenta nos grandes centros. A diretoria do São Caetano chegou a liberar um de seus atletas para negociar transferência, mas o jogador preferiu continuar no ABC paulista.
Descobriu que o Bahia atrasa o pagamento sistematicamente. Quando o salário não parece o maior empecilho, a concorrência com os grandes é desleal.
O lateral Fabinho, do Mirassol-SP, acertou com o Santos; O também ala Éder, do Noroeste-SP, já está integrado ao elenco do São Paulo.
E se é complicado negociar com as apostas, quem dirá com os que têm algum nome no mercado. “A gente propõe pagar 50% do vencimento, vem o Goiás e oferece 100% ou até algo mais”, responde de pronto o treinador, quando questionado sobre atletas como Rodrigo Tabata, encostado no Santos.
As perspectivas são ainda mais pessimistas porque sequer é garantida a manutenção dos destaques do atual elenco.
Rogério pode ser negociado
Depois que o Bahia negociou Eduardo para o Botafogo, Paulo Comelli foi sondado por clubes de São Paulo, Santa Catarina e do Paraná sobre a condição de Rogério, sob contrato com o Bahia até 27 de janeiro de 2009. “Ele tem muita qualidade e é normal surgir o interesse, ainda mais nessa posição de zagueiro.
Mas é um jogador vinculado ao clube, deve haver uma multa rescisória e espero poder contar com ele até o final da temporada”. Especulações dão conta de que o jogador pode ser vendido agora e só seguir para o novo clube ao final do Brasileiro da Série B.
A eliminação precoce pegou o grupo de surpresa. Ontem, o garoto Ananias admitiu o abatimento, principalmente pela boa seqüência da equipe no Campeonato Baiano.
A bronca da comissão técnica é outra. Faltou atenção no primeiro gol do Icasa-CE e o time perdeu muitas oportunidades. Ponto alto no estadual, a defesa comprometeu ao ser batida cinco vezes nas partidas em Juazeiro do Norte e Feira de Santana.
“Não nos classificamos por erros nossos aqui e lá”, garante o treinador. Questionado se o Baianão não serve de parâmetro para a Copa do Brasil, a resposta é direta. “Com todo o respeito ao Icasa, mas é um time comum. O Vitória é muito superior ao Icasa.
Atlético e Vitória da Conquista está no mesmo nível”, comparou. Então, é pensar nos comuns do estadual, competição que lhe resta até a estréia no Brasileiro da Série B, dia 9 maio, contra o Fortaleza.
Domingo o time enfrenta o carrasco Ipitanga, no Jóia da Princesa, sem Marcone, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Entregues ao departamento médico, Reinaldo Aleluia e Adilson continuam de fora. O trunfo tricolor é o retorno de Elias – artilheiro da equipe com cinco gols.
Correio da Bahia
sexta-feira, 7 de março de 2008
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