quarta-feira, 23 de abril de 2008

Bola parada auxilia Bahia a liderar o Baiano

O Bahia emplacou quatro gols no primeiro clássico das finais e o técnico Paulo Comelli adotou discurso contundente: a eficácia nas bolas paradas tem sido determinante no Campeonato Baiano 2008. Os números comprovam. O time conseguiu marcar com auxílio do fundamento em 12 das 25 partidas do estadual _ o que significa, a cada dois jogos, ao menos em um o tricolor está bem posicionado para concluir jogada que parte da inércia.

“Trabalhamos muito. Os jogadores tradicionalmente não gostam, mas é decisivo. Antes do jogo, treinamos quinta, sexta e sábado”, salienta o treinador. A repetição exaustiva garantiu dois gols no Barradão. Alison marcou o centésimo dos Ba-vis no estádio, em jogada iniciada na cobrança de falta de Elias. O canhoto cobrou escanteio e Rogério escorou o terceiro do Bahia.

No acumulado da temporada, quatro gols iniciados com a bola sem movimento em três confrontos contra o Vitória. O rubro-negro só faz frente ao xará Conquista – outro que sofreu quatro vezes na jogada ensaiada tricolor. Arma poderosa. Sem o brilho individual de grandes nomes, o Bahia apostou no trabalho conjunto e encontrou o caminho. Cobranças rápidas, cruzamentos na área e pênaltis foram responsáveis por 15 gols da equipe, aproximadamente 34% ou mais de um terço dos 44 marcados até agora.

Comelli destaca a manutenção da base de 2007 com o enxerto pontual de novos atletas. O treinador citou o crescimento dos alas Fábio e Ávine, e a versatilidade de Rivaldo, Marcone e Rogério para suprir as perdas de Eduardo e Carlos Alberto. A defesa continua forte, mas com uma vantagem: marca mais gols. “Não posso passar isso para a imprensa, mas temos um posicionamento dos zagueiros nas jogadas de bola parada”, assegura.

O trabalho deu resultado e os defensores têm cumprido o papel que convencionalmente cabe aos atacantes. Rogério, Alison, Cléber Carioca e Marcone balançaram as redes nove vezes, 20,45% dos gols do Bahia neste Baianão. O número é ainda mais expressivo se computados os cinco gols de alas e volantes – imprescindíveis na formação do bloco defensivo – chegando a 31,82% do total.

Sem empolgação – O principal desafio da semana é conter o clima de euforia criado por imprensa e torcida depois da goleada no clássico. A comissão técnica é consciente: a corrida pelo título chegou apenas à metade, com Vitória da Conquista e Vitória nos calcanhares do Bahia. Ávine fez outra grande atuação, mas irritou o treinador com um drible, segundo ele, inspirado em Falcão, Cristiano Ronaldo e Robinho.
“Mandei um recado para ele na hora pelo Rogério. Não pode fazer isso”, reprimiu Comelli. O ala canhoto dá crédito ao comandante na recuperação do seu futebol. “Sempre conversei com ele e com o André Chita. Contei com o apoio deles e da minha família. A fase é boa, agora é manter”, relevou.

***

BOLAS PARADAS

Partida Gols
Vitória 1x4 Bahia 2
Bahia 2x1 Itabuna 1
Feirense 1x1 Bahia 1
Camaçari 1x4 Bahia 1
Bahia 2x1 Ipitanga 1
Bahia 2x1 Conquista 2
Bahia 1x0 Vitória 1
Fluminense 1x1 Bahia 1
Vitória 0x2 Bahia 1
Conquista 1x2 Bahia 2
Itabuna 1x1 Bahia 1
Atlético 0x2 Bahia 1


Ingressos

O Bahia iniciou ontem a venda de ingressos para o clássico das 16h, domingo, em Feira de Santana. Durante a semana, o torcedor poderá adquirir as entradas na sede de praia do clube, na Boca do Rio, das 11h às 17h, valor de R$20. Para coibir a ação dos cambistas, os bilhetes de meia-entrada só serão vendidas no dia partida, por R$10. Os mil primeiros ingressos vendidos serão acompanhados de moeda e folder comemorativos dos 75 anos do clube.


TJD absolve Rivaldo e Elias

O técnico Paulo Comelli pode comemorar a presença de Rivaldo no clássico do próximo domingo, em Feira de Santana. Citado no artigo 253 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) por agressão, o volante foi absolvido por quatro votos a três no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-BA).

A pena inicial era de 120 dias por cotovelada no volante Hudson, na derrota por 1x0 para o Poções, dia 13 de fevereiro. O ato não constou na súmula do árbitro Rosalvo da Silva Mota, mas foi flagrado via televisão por um dos procuradores do TJD. “Estranhamente, dentre os tantos jogos do Baiano, ele pegou justamente as imagens do jogo do Bahia”, questionou o treinador antes do julgamento, preocupado com a possibilidade de perder dois jogadores para o segundo Ba-Vi.

Elias é carta fora do baralho. O meia recebeu o terceiro cartão amarelo com menos de um minuto de bola rolando no Barradão e cumpre suspensão automática. Ontem, o tribunal manteve a pena de um jogo por “praticar ato de hostilidade” também na partida contra o Poções. Como já havia cumprido a punição, retorna contra o Itabuna, dia 1º de maio.

Correio da Bahia

Nenhum comentário:

Postar um comentário