Quinze minutos contra o Itabuna e o torcedor encontrou possível novo camisa 10. Os passes colocaram Charles na boa para marcar, o suficiente para impressionar quem mais importa: o técnico Paulo Comelli. “Ele tem características semelhantes às de Elias e seria o substituto natural”. Everton prefere torcer a favor, mas reconhece que a chance de estrear no clássico cresce se o companheiro for punido no julgamento, às 15h, no Tribunal de Justiça Desportiva.
Na dúvida, tem treinado como titular, ao lado de Rogério, Fausto, Rivaldo e Ananias. Duas semanas de Bahia e pode pintar como principal armador no primeiro Ba-Vi das finais do Baiano. Tudo muito rápido, exatamente como o desenrolar da carreira meteórica de apenas três anos no futebol. Everton não passou por qualquer divisão de base ou escolinha. Dos 18 aos 20 anos trabalhou numa empresa de eletrodomésticos em Maranguape-CE, sua cidade natal.
E foi a firma que lhe abriu as portas para o futebol profissional. “Disputamos uma partida amadora pelo time da empresa, vencemos por 3x1 e marquei os três gols. Tinha uma pessoa observando por lá e me levou para o Maranguape”, recorda. O clube, que, antes, também revelou Índio e Garrinchinha, conquistou título e acesso no Cearense. No ano seguinte, interesse do Ferroviário.
O resto da história é conhecido. O canhoto ganhou destaque na Série C 2006 como principal jogador da equipe cearense. Marcou o primeiro da goleada sobre o Bahia por 7x2, mas também fez dois contra o Vitória, ainda na segunda fase, no Barradão. Conhece o caminho das redes que pretende balançar domingo. “Espero conseguir mais gols. Enfrentei eles umas quatro vezes, a última delas quando estive emprestado ao Barueri-SP, na Série B do ano passado”.
A responsabilidade de substituir o homem-gol tricolor na temporada não preocupa. Foram dez gols na terceirona, artilheiro do Ferroviário, executando exatamente a função indicada por Comelli. Caso o treinador opte por cinco meias e apenas Cristiano no ataque, a ordem é movimentar à frente e recompor na saída de bola adversária. O segredo é revezar com Ananias e Rivaldo. “Já me falaram muito, sei que será um jogo duro e vencerá quem errar menos”, receita.
Time - “É mesmo? Nem sabia. Mas já que marquei o gol 99 dos clássicos no Barradão, quero marcar o centésimo também”, surpreendeu-se Elias. O meia trabalhou as finalizações com o restante do grupo ontem, na esperança de ser absolvido da acusação de praticar jogada violenta, com pena de duas a seis partidas. Há tempo. O time será definido no coletivo das 16h30, no Fazendão.
O atraso de meia hora no início do trabalho fica justamente por conta do julgamento do camisa 10. A preocupação da comissão técnica com a possibilidade de perdê-lo é tão grande quanto a de manter o bom desempenho da defesa diante do ataque mais positivo do estadual. Comelli e o auxiliar técnico André Chita passaram longo período em conversa reservada com Alison e Rogério.
Correio da Bahia
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