No retrospecto dos 35 clássicos realizados no Barradão, o Vitória é absoluto sobre o rival. Mas há quase dois anos o rubro-negro não vence em casa – a última vez, em 22 de janeiro de 2006. Domingo, o desafio. Encerrar o tabu e começar nova escrita. O Leão parou em 21 vitórias, deixou o adversário reagir. Contudo, são apenas seis triunfos e oito empates.
À exceção do goleiro Ney, que terá a responsabilidade de evitar que o Bahia entre na história, “do lateral-direito ao ponta-esquerda” todos têm chances de passar para a posteridade dos cem gols. Bida, Marquinhos e até o júnior Marcelo.
Na história, vantagem ampla também nos gols marcados. Dos 99, a linha ofensiva do Vitória tem 63 contra 36. O meia Adoílson, no Baiano de 1995, fez as “honras da casa”, triunfo por 2x0. Mas o principal artilheiro é Ramon Menezes, que na mesma partida fez o segundo. No mesmo ano, o “reizinho do Barradão”, como passou a ser chamado pelos torcedores, fez mais quatro. Em mais três jogos.
Outros jogadores se notabilizaram em clássicos disputados no Barradão. Como o próprio Adoílson e, mais recente, o meia Fernando. O atacante Nadson, em 2003, estava no banco de reserva e entrou no segundo tempo quando a sua equipe perdia. Fez bonito: marcou os três gols da virada de 3x2 e conquistou a torcida.
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Candidatos
Vitória
Ramon Menezes: Maior goleador dos confrontos no Barradão. Tem arma decisiva: cobra bem faltas e pênaltis: “O mais importante no clássico é buscar a vitória o tempo todo. Tenho o orgulho dos cinco gols na história dos clássicos e vou ficar mais feliz ainda se marcar o centésimo. Se o Vitória ganhar, daremos passo decisivo em função do nosso objetivo que é o bicampeonato”.
Diego Silva: No Vitória, fez apenas um gol. Atacante só se mantém justamente quando deixa sempre a marca de goleador. “É verdade que domingo pode acontecer o centésimo gol nos clássicos? Que bom se eu fizer! O mais significativo é que nós consigamos ganhar o Ba-Vi e não importando quem faça o gol. Mas é sempre bom fazer gol em grandes jogos”.
Marcelo Batatais: Zagueiro-artilheiro, com cinco gols, o seu forte são as finalizações de cabeça. “O primordial é sair vencedor. Se aparecer a oportunidade, claro, vou tentar fazer. A minha é evitar que o adversário chegue na nossa área para marcar o gol. Vou, claro, ficar muito feliz se marcar o centésimo. Acontecendo, entrarei na história do clube”.
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Bahia
Elias: Aposta óbvia, o artilheiro tricolor pode ser cortado do clássico pelo Tribunal de Justiça Desportiva. Caso contrário, é forte candidato ao 100º. Sua média este ano é de um gol a cada 180 minutos. O canhoto decretou o 2x0 no primeiro clássico do Baianão 2008, no Barradão. É dele o gol de número 99. “Estou ansioso pela decisão do Tribunal”.
Cristiano: Titular absoluto da companhia de frente tricolor, não é o camisa 9 nato, mas guardou na estréia contra o Juazeiro. Estreante, acumula bagagem de Palmeiras x Corinthians e Paraná x Atlético-PR. “O detalhe define e o objetivo de qualquer atacante é marcar no clássico. É algo que pode marcar a trajetória do atleta”, candidata-se.
Rogério: Marcou o gol solitário do segundo clássico da temporada, com direito a cambalhota e dancinha do Créu. “Tive a felicidade, mas foi caga... não tenho tanta liberdade para chegar ao ataque”, gargalha. O zagueiro/volante renovou contrato ontem até abril de 2010 e com o veto da CBF às comemorações provocativas, prepara uma homenagem ao sobrinho.
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Eduardo Rocha
A recordação recente dos clássicos no Barradão não poderia ser melhor: cinco jogos de uma invencibilidade iniciada no dia 21 de maio de 2006, gol do zagueiro Laerte. Três vitórias e dois empates em quase dois anos – maior período sem derrotas na história do alçapão inimigo. A comodidade é tamanha que o diretor de futebol Ruy Accioly batizou o estádio de “recreio dos tricolores”.
Elias foi o último a se divertir por lá. Gol de número 99 dos Ba-Vis no estádio, na vitória do Bahia por 2x0, dia 10 de fevereiro deste ano. E tem gente louca para gravar seu nome nos registros do confronto com o centésimo. Amuleto dos momentos difíceis, Charles está em falta com a torcida, mas mantém a tranqüilidade. A mobilidade não condiz com a pontaria e quando tudo sai nos conformes, o goleiro resolve atrapalhar. “Entrei contra o Itabuna, bati bem no último lance e ele salvou com o pé”. Quem sabe um gol decisivo aos 50 do 2º tempo, semelhante ao marcado contra o Fast Clube-AM na Série C 2007? “O Barradão ia tremer”, prevê.
Os nomes se sucedem. O garoto Ananias marcou três vezes neste Baianão, o último, de cabeça. Didi está recuperado de lesão, sofre pressão pela falta de gols, mas garante: “Aos 32 anos, não é a primeira vez que sou cobrado”. O Correio da Bahia aprontou algumas apostas para o gol 100.
Correio da Bahia
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