O sobe e desce no Vitória não pára. Enquanto Fernando, pouco conhecido dos torcedores, começa a ter oportunidade com o técnico Vágner Mancini, mesmo improvisado como lateral-esquerdo, o seu companheiro Gustavo, titular da posição desde o início desta temporada, não só perdeu a vaga no time como também está voltando para os juniores. São duas situações paralelas e ao mesmo tempo coincidentes, no momento em que o rubro-negro largou bem no quadrangular decisivo em busca do bicampeonato baiano. Alessandro, de rejeitado no início do campeonato e emprestado ao Guarani, de Campinas, está sendo reintegrado ao grupo. Ele chega hoje, à tarde, depois de rescindir o contrato com o clube paulista.
Fernando, volante de 20 anos, que teve uma passagem nas divisões de base do Bahia, em 2003, e veio em janeiro emprestado pelo Internacional de Porto Alegre, não foi relacionado pelo ex-técnico Vadão sequer para a concentração. Com a chegada de Vágner Mancini, no entanto, os ventos começaram a soprar a seu favor, ao ser escalado no time reserva que empatou com o Feirense por 4x4. O treinador gostou do seu desempenho e o manteve, domingo, contra o Itabuna. A expectativa é que Fernando continue na lateral-esquerda na segunda rodada do quadrangular, domingo, no Barradão, diante do xará de Conquista.
O cearense Fernando não se considera titular, mas para ele o importante é ajudar a equipe. Mesmo relegado a plano inferior nos últimos três meses, o volante improvisado hoje de lateral-esquerdo não se empolga, embora esteja satisfeito. “Joguei pouquíssimas partidas como lateral no time B do Internacional, porque a minha é jogar no meio. Ótimo que estou servindo ao treinador e à própria equipe, mas não me considero titular”.
O Vitória fez 26 jogos até agora este ano, incluindo os três pela Copa do Brasil. Do total, Gustavo, 19 anos, atuou em 18 pelo estadual e os três da Copa do Brasil. Com Vadão foi absoluto na posição, mesmo tendo como “sombra” Alessandro, que está de volta. Teve atuações de altos e baixos, recebeu muitas críticas e acabou sendo “sacado” por Vágner Mancini. Ontem, pela manhã, o jogador teve uma rápida discussão com o treinador, que queria incluí-lo de última hora na delegação para o jogo contra o Itabuna em conseqüência de Marcelo Batatais ter sentido a coxa direita e ter viajado como dúvida. Gustavo não foi localizado. Ontem, na reapresentação, o treinador o abordou. O jogador não gostou e teria respondido a Mancini. De imediato, foi dispensado. No início da tarde, no entanto, a situação estava contornada. Alessandro está voltando e o clube só tem ele como nato da posição. Mais por isso que a situação foi, a princípio, contornada.
Na volta dos jogadores às atividades, Mancini reuniu-se com os jogadores pela manhã e no período da tarde, quando falou sobre o triunfo de domingo e também sobre o próximo adversário, o xará de Vitória da Conquista. Marcelo Batatais, sentindo a coxa direita, fez apenas tratamento leve. Hoje, possivelmente pela manhã, fará um exame de imagem, já que o departamento médico está preocupado com a sua situação. O jogador, no entanto, suspeita de cansaço e acredita que joga domingo. Na tarde de ontem, sem Batatais, e mantendo a formação que começou domingo, Végner Mancini dirigiu o coletivo-tático. O atacante Michel, com torção no joelho esquerdo, continua afastado dos treinamentos. Hoje, à tarde, o time reserva fará um jogo-treino, às 15h30, contra a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).
A diretoria antecipou a venda de ingressos para o jogo com o Vitória da Conquista. Eles podem ser encontrados na Loja da Toca do Leão, no Shopping Capemi, ao lado do Iguatemi. Nas bilheterias do Barradão somente no sábado, a partir das 9h. Domingo, os portões estarão abertos às 13h.
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Conquista pretende envolver adversário
Marcelo Sant’Ana
Duas virtudes do Vitória da Conquista não apareceram contra o Bahia: movimentação e força ofensiva. O time foi refém da forte marcação do adversário, especialmente nos armadores Kléber e Rafael. Sem saída de bola, restou o passe direto aos atacantes Tatu e Diogo.
O empate sem gols na estréia do quadrangular alertou o treinador Elias Borges. O coletivo agendado para esta tarde deve ser substituído por outro trabalho tático intercalado por dois toques, semelhante a ontem. “É importante fazer o jogador pensar mais rápido para nos prevenirmos de novas retrancas”, diagnosticou.
Embora espere um Vitória ofensivo no domingo, o objetivo é impor o ritmo do jogo no Barradão, como no empate por 2x2 na primeira fase. “Passei ao grupo que é preciso ter coragem. Um pouco de ousadia não faz mal. Nosso time chegou às finais. Então, não é para temer mais nada”.
Para pressionar a saída de bola do rubro-negro, conversas específicas com Edmar. Desde a entrada de Narcísio, com alteração do sistema tático de 4-4-2 para 3-5-2, o atleta tem sido usado como um zagueiro que sai para o jogo e não volante que recua. Assim, contra o Vitória, será preciso atenção para aproveitar chances e adiantar a linha defensiva.
“Ramon e Rodrigão melhoraram o Vitória e não podem ter espaço. Ramon é experiente e criativo. Rodrigão, oportunista”, analisou. “A gente precisa de malícia para puxar um contra-ataque com velocidade ou matar uma jogada deles já no início. A falta é artifício do jogo”. Em Salvador, o Vitória da Conquista precisará de, no mínimo, o empate para seguir forte na disputa pelo título, avaliou o treinador.
Correio da Bahia
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