quarta-feira, 23 de abril de 2008

Proibida pela CBF, dança do créu é liberada nos estádios baianos

No último dia 3 de abril, a CBF determinou a proibição da dança do créu como comemoração de gols em partidas de futebol em todo o Brasil. A determinação aos árbitros foi para que coibissem quaisquer manifestações provocativas às torcidas e aos adversários.

Mas, mesmo diante da preocupação da entidade, a dança do créu foi praticada à vontade pelos jogadores do Bahia no clássico do último domingo, vencido pelo tricolor por 4 a 1. Lado a lado, os atletas executaram os passos da coreografia em três dos quatro gols e foram acompanhados por gritos da torcida, que ditou o ritmo da comemoração.

Apesar da proibição expressa e recomendações especiais, tanto o Bahia quanto a Federação Bahiana de Futebol (FBF) não consideram o créu tão ofensivo assim. Tanto que a dança do funk carioca está liberada no Ba-Vi do próximo domingo, em Feira de Santana.

O presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, afirma que recebeu o comunicado da CBF e que o repassou aos árbitros, que estão cumprindo "religiosamente" as determinações dos dirigentes nacionais.

Para ele, não houve provocação ao adversário. "A CBF nos disse que teríamos de administrar as comemorações com bom senso. Ela só se torna uma atitude provocativa se é feita em direção à torcida adversária, e não foi o que aconteceu", explica Rodrigues.

Para reforçar a consciência de atletas e arbitragem em relação ao assunto, Ednaldo Rodrigues afirma que o meia Elias e o zagueiro Rogério, do Bahia, perguntaram ao árbitro Arílson Bispo da Anunciação, antes do início do jogo, se poderiam dançar o créu em direção à torcida tricolor, o que foi permitido pelo juiz do último Ba-Vi.

O pedido foi confirmado por Rogério durante o treino desta terça-feira, no Fazendão. "Fui com Elias antes do jogo falar com o árbitro e saber se podia fazer. Ele disse que sim". O jogador afirma que, caso fizesse gol, homenagearia o sobrinho recém-nascido, o que fez na comemoração do primeiro gol jogo. O créu saiu nos festejos dos três últimos gols do Bahia.

"Na concentração, Fausto, Marcone e eu ficamos 'viajando' sobre o que fazer se a gente marcar gol. Então ficamos treinando umas coreografias, criando uns temas", revela. Perguntado se não dançava o créu com um mínimo de desejo de provocar o adversário, Rogério entregou o jogo com um sorriso suspeito, mas garantiu que só faz a dança para "pegar moral com a torcida".

O presidente da FBF afirma que os integrantes das equipes podem continuar a dançar o créu à vontade, desde que sigam as regras, ou seja, nunca em frente à torcida adversária. Caso contrário, os clubes poderão ser punidos.

UOL

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