sábado, 26 de abril de 2008

Torcida do Vitória pressiona time no Barradão

“Vergonha, vergonha, time sem vergonha”, “Queremos raça, queremos raça”, “Se o Vitória não ganhar olê, olê, olá, o pau vai quebrar”. Pois é... a sexta-feira no Vitória não foi só de apronto da equipe para o Ba-Vi de amanhã, às 16h, em Feira de Santana. O dia foi marcado principalmente pela manifestação de torcedores, que, mesmo sem ter acesso ao Barradão, criticaram jogadores, pediram a saída do presidente Jorginho Sampaio e, principalmente, do diretor de futebol Renato Braz. Duas viaturas da Polícia Militar e uma unidade do Pelotão de Choque deram proteção no portão por onde entram os atletas, dirigentes, funcionários e convidados e não houve nenhum incidente, mesmo com a presença de alguns rubro-negros mais exaltados.

O movimento teve a participação de 80 torcedores, aproximadamente, que começaram a chegar às 13h30. Eles esperavam a entrada dos jogadores, mas a diretoria já sabia que haveria a concentração e avisou a todos para usar o acesso ao estádio pela Toca do Leão. O técnico Mancini, no entanto, entrou pelo lugar de costume, parou o seu carro e deu satisfação a alguns torcedores de que conversaria mais tarde, antes do treino. O técnico não sabia que alguns representantes das facções organizadas já estavam aguardando a sua chegada, todos liberados pela diretoria.

À medida que os torcedores iam chegando, aumentavam as críticas ao time pela derrota para o Bahia por 4x1. O treino secreto começou e os rubro-negros, bastante exaltados, gritavam do lado de fora as palavras de ordem. O protesto voltou a ter continuidade numa ribanceira que dá visibilidade para o campo de fora do estádio. Assim que o grupo soube que o treino tinha começado, se deslocou para aquele local. Eles cantaram novamente, pedindo a saída dos dois dirigentes e jogadores, sobretudo o zagueiro Anderson Martins. Protestaram também pela substituição de Ney pelo goleiro França.

Somente às 16h50 é que a imprensa teve acesso ao CT do Barradão, a cinco minutos de a atividade terminar. Apenas oito torcedores tiveram a entrada permitida, a maioria do “Sou Mais Vitória”. O pequeno grupo foi recebido pelo presidente Jorginho Sampaio. Eles pediram explicação sobre a derrota de domingo, o porquê da permanência de Renato Braz e a saída de jogadores.

Mas nem tudo foi crítica. Mancini e Jorginho Sampaio receberam os representantes das torcidas organizadas que foram dar o apoio ao treinador e aos jogadores para a partida de amanhã, decisiva para o rubro-negro. No alambrado do estádio, colocaram uma faixa com os dizeres “Acreditamos em vocês, contem com a garra”. Os conselheiros deram apoio aos dirigentes no almoço que aconteceu na Chácara Vidigal Guimarães.

***

Mancini vai para o tudo ou nada

Vencer ou vencer. É com esse pensamento que o técnico do Vitória, Vágner Mancini, está focado no clássico de amanhã, pois ele sabe que até o empate será desastroso e colocará em xeque o seu trabalho na Toca do Leão. Só os três pontos deixam a equipe de novo na luta pelo bicampeonato baiano e, por isso, ele vai para o tudo ou nada. Para isso, precisa ganhar o confronto com o colega tricolor, Paulo Comelli. Na história dos dois treinadores, foram quatro jogos, duas vitórias para cada um. O Ba-Vi será a “negra”.

“Eu tinha até esquecido que saí na frente, continuava na dianteira até domingo passado e Comelli empatou. Agora será a minha vez de assumir a liderança dos duelos”.

Vágner Mancini fez um coletivo secreto e não anunciou o time. Confirmou, no entanto, a mudança no gol, com a escalação de França no lugar de Ney. O treinador revelou que sabe do prestígio do goleiro com a torcida, mas não estava satisfeito com as suas atuações. Mancini não gostou das declarações de Ney e chegou a adverti-lo. Jackson, com o tornozelo esquerdo bastante dolorido, está praticamente fora do jogo. André Silva, que treinou o tempo todo no time titular, ou Ramirez será o seu substituto. No meio-de-campo, ele não decidiu se mantém Marco Antonio ou se começa com Bida. A diretoria pode anunciar depois do clássico de amanhã, no Jóia da princesa, a contratação do meia Everton, do Corinthians.

Mancini observou que o sentimento de revolta dos torcedores pela derrota no Ba-Vi de domingo passado é também seu. “Achei normal o protesto. O que eles querem do time eu também quero, ou seja, muita raça em campo e, principalmente, atitude. Domingo será um jogo quente”, prevê.

Correio da Bahia

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